Sábado, 29 de Setembro de 2007

Familiares e militares voltam ao local da queda do Boeing da Gol

Na manhã deste sábado (29), dia em que faz um ano do acidente com o vôo 1907 da Gol, que vitimou 154 pessoas, familiares e amigos das vítimas viajaram até o local do acidente em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB).

Na passagem pela Fazenda Jarinã, Mato Grosso, área que serviu de base para as equipes de resgate, serão deixadas uma placa e imagens de santos na capela construída depois da tragédia. No local da queda, 154 rosas brancas serão jogadas do alto. Depois, está programada a celebração de uma missa na Base Aérea da Serra do Cachimbo, sul do Pará.

Os parentes carregavam as fotografias dos entes queridos. Margarida Cruz, por exemplo, perdeu Carlos, filho de 26 anos. Para ela, mesmo um ano depois ainda é difícil acreditar. “Não dá pra aceitar. É como se ele não estivesse morto. É muito difícil aceitar”, desabafou.

Foi a mesma sensação de Antônio Cláudio de Araújo, tio de Marcelo Paixão, o último corpo localizado, 54 dias após o desastre. “A visita ao local parece que traz ainda uma certa apreensão, vamos dizer assim, de que a gente até possa ver mais coisas dele, possa encontrá-lo. Sonhar é uma constante nossa”, contou.

Misturado à emoção de retornar ao local do acidente, havia o agradecimento às equipes de militares e civis que ajudaram no resgate dos corpos. “É complicado. Nós somos pessoas extremamente técnicas, né? Fizemos toda a... Desculpe”, disse emocionado o major da FAB Gláucio de Oliveira.

Os parentes só retornarão no fim do dia. Na hora do acidente do vôo 1907, eles estarão no céu, voando em direção a Brasília. O aviso será dado pelo piloto da aeronave e, neste momento, será feito um minuto de silêncio.

Em 29 de setembro do ano passado, um Boeing da Gol saiu de Manaus com 154 pessoas com destino ao Rio de Janeiro e escala em Brasília. O avião se chocou com um jato Legacy e caiu em região de mata fechada ao norte de Mato Grosso. Todos os ocupantes morreram. Ninguém do Legacy se feriu.

O resgate dos corpos espalhados pela selva durou semanas. Até agora as investigações não apontaram culpados. “Nós, os familiares, não temos nenhuma posição das autoridades. Estamos sentindo uma injustiça incrível”, reclamou o tio de outra vítima, Francis Albert Ribeiro Dias.

De acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), o relatório final dirá que falha humana foi um dos fatores que contribuíram para a colisão. Mesmo assim, não foi fator determinante do acidente. O relatório ainda não tem data para ser apresentado.

Advogados da Gol ofereceram acordos que garantem aos beneficiários renda igual à que era obtida antes da tragédia. Até agora 32 ajustes foram fechados, beneficiando 82 pessoas. A companhia ofereceu ainda plano de saúde às famílias e reembolso das despesas médicas no primeiro mês depois do acidente.

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