domingo, 30 de setembro de 2007

Após paralisação, bancários ameaçam entrar em greve

Após uma paralisação de advertência de 24 horas na sexta-feira (28), os bancários ameaçam parar por tempo indeterminado a partir da próxima quarta-feira (3) em todo o país.

A greve depende das assembléias marcadas para o início da semana, que irão decidir pela adesão ou não ao movimento.

De acordo com um comunicado divulgado pelo comando nacional dos bancários as negociações com os patrões foram encerradas porque não houve avanço nas discussões.

Os bancários da cidade de São Paulo e da região de Osasco mantiveram a rejeição à proposta patronal na negociação salarial e aprovaram moção indicativa de nova greve de 24 horas para terça-feira (2).

De acordo com nota divulgada no site da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), o único acordo foi o reajuste de 5,2% no salário que antes era de 4,82%.

Segundo a nota, na décima rodada de negociação não houve nenhuma alteração no que diz respeito à participação nos lucros e resultados (PLR) ou em qualquer outra cláusula.

“Os bancos aumentaram sua lucratividade do ano passado para cá e não querem repassar nada para os funcionários. Deixamos claro que a atual proposta é inaceitável", disse, em nota, o presidente da Contraf-CUT, Vagner Freitas. "Se essa é a única linguagem que entendem, vamos nos organizar e fazer greve por tempo indeterminado a partir do dia 3 de outubro”, afirmou.

De acordo com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), a proposta dos bancos prevê a inclusão na Convenção Coletiva de um novo benefício: a 13ª cesta alimentação. "Todos os bancários já recebem, a cada mês, uma cesta alimentação de R$ 238,08 - que passará a ser de R$ 250,46. Com a nova proposta, receberão mais uma cesta no ano, nesse valor", informou a Fenaban.

A categoria não concorda. Pede participação nos lucros de dois salários mínimos e uma parcela fixa de R$ 3.500. Os bancários também reivindicam a fixação de um piso salarial de R$ 1.628,24.

Estudo da consultoria Economática divulgado em agosto mostra que os bancos foram os que mais lucraram no setor econômico no primeiro semestre.

Por outro, lado criaram menos empregos informais. Os ganhos acumulados no período ficaram em R$ 14,52 bilhões, com 4.320 postos de trabalho com carteira assinada no semestre. Foi o menor índice entre os setores pesquisados mensalmente pelo Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) do Ministério do Trabalho.

De acordo com o Cadastro, o número de novos empregos nas instituições financeiras representa apenas 0,39% do total de 1,095 milhão de postos de trabalho criados de janeiro a junho.

OceanAir lança promoções para 10 rotas

A companhia aérea OceanAir lançou uma promoção para dez rotas. Quem comprar passagens aéreas entre os dias 1 a 13 de outubro, com embarque até o dia 14, terá descontos. Os preços da promoção, para diversos trechos, começam a partir de R$ 71,00.

Os preços com desconto valem também para os trechos inversos. O regulamento da promoção está no site da companhia. Reservas podem ser feitas diretamente na Central da OceanAir, através dos telefones 4004 4040 nas principais Capitais e 0300 789 8160 para demais cidades.

Confira algumas rotas e preços por trecho:

Salvador - Brasília R$ 99,00
São Paulo - Foz do Iguaçu R$ 99,00
São Paulo - Florianópolis R$ 84,00
São Paulo - Rio de Janeiro R$ 71,00
Rio de Janeiro - Brasília R$ 99,00
Rio de Janeiro - Porto Alegre R$99,00
Porto Alegre - Curitiba R$ 99,00
São Paulo - Chapecó R$ 99,00

Cooperativas de catadores receberão R$ 14,6 milhões do BNDES para projetos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará nesta segunda, 1°, a liberação de R$ 14,6 milhões da linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinada a cooperativas de catadores de materiais recicláveis.

Segundo informações do Palácio do Planalto, os recursos serão reapssados a 21 cooperativas em 10 estados do país, beneficiando cerca de 1,5 mil cooperados.

As operações fazem parte dos 34 projetos já aprovados pelo BNDES, no valor total de R$ 22,9 milhões. O financiamento destina-se a reformas de infra-estrutura física, assistência técnica e capacitação de cooperadores.
“É uma conquista a partir do compromisso do governo com a geração de postos de trabalho.

O próprio presidente [Lula] se comprometeu, em reunião que tivemos, a abrir postos de trabalho. Para nós é de grande importância, para gerar mais trabalho a catadores do Brasil todo", observa Roberto Laureano, da coordenação nacional do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR).

A entidade calcula que existem atualmente no Brasil entre 300 mil e um milhão de catadores. A estimativa engloba desde catadores cooperados até catadores que trabalham a céu aberto e nas ruas das cidades.
O movimento tem cadastradas 450 cooperativas formalizadas, reunindo em torno de 35 mil catadores. A maior parte das organizações é constituída por associações.

A linha de crédito foi lançada pelo presidente Lula em outubro do ano passado, a partir de uma proposta conjunta dos Ministérios do Trabalho e Emprego, Cidades e do Desenvolvimento e Social e Combate à Fome.
A medida originou-se de um estudo da Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia, que foi encaminhado como reivindicação à Presidência da República pelo MNCR.

A pesquisa levantava as necessidades dos catadores para que pudessem se constituir em organizações sustentáveis que garantissem qualidade de vida.

Um estudo do Instituto Polis sobre os resíduos desviados dos aterros sanitários pelos catadores de materiais recicláveis mostra que, somente na cidade de São Paulo, estão em atividade 20 mil catadores.


“Esses carroceiros, como são chamados popularmente os catadores, coletam em torno de 400 quilos de materiais por dia, o que resulta em oito mil toneladas diárias de lixo reciclável que deixam de ir para os aterros sanitários e são destinados adequadamente para a coleta seletiva”, destacou Davi Amorim, da assessoria do movimento.
Segundo ele, a média nacional de renda dos catadores varia de R$ 70 a R$ 140 mensais.

Com a compra de equipamentos, caminhões e prensas para realizar o trabalho de forma adequada, esse valor subiria para R$ 450 por mês, avaliou Amorim.

CRÍTICAS AO GOVERNO E À GOL DOMINAM ATO EM HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DO VÔO 1907

Em meio ao clima de homenagem e consternação, críticas e reclamações dominaram o ato que lembrou o aniversário de um ano do acidente com o vôo 1907 no sábado, 29, em Brasília. A Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo Gol 1907 acusou o governo e a companhia aérea de omissão e descaso.

Para a presidente da associação, Angelita de Marchi, que perdeu o marido Plínio Luiz Siqueira Júnior no acidente, a data de um ano do acidente traz um duplo sentimento. “Temos muita tristeza e também muita indignação”, declarou Angelita pouco antes do culto ecumênico, no Jardim Botânico de Brasília, que lembrou os 154 mortos no desastre.

“Há um ano estamos acompanhando a pouca movimentação do governo para esclarecer o acidente, apoiar os familiares e trazer uma resposta que amenize um pouquinho da dor que a gente sente”, disse Angelita. Ela também criticou a demora da Gol em fechar acordo com as vítimas e em renovar o auxílio médico e psicológico aos familiares.

As principais reclamações foram sintetizadas numa carta aberta distribuída durante o evento. No documento, os representantes dos 154 mortos no desastre reclamaram do fato de até hoje não terem sido recebidos pelo presidente Lula. “Somos cidadãos, eleitores e temos direito a ser tratados com dignidade. Temos direito a informações claras, precisas e apoio dos órgãos submetidos ao seu comando”, afirmou o texto.

A denúncia do suposto furto de pertences das vítimas resgatados do local do acidente foi um dos pontos centrais da carta. A associação criticou a afirmação do ministro Tarso Genro de que ele só tomou conhecimento do caso por meio da imprensa. “Essa questão, senhor ministro, era o último item da lista que entregamos a Vossa Excelência, que não se dignou a ler, nem mesmo, nossa solicitação. São meses sem seu apoio prometido, sem qualquer outra resposta sua”, ressaltou o documento.

Os familiares e amigos das vítimas alegam não terem recebido resposta do brigadeiro Jorge Kersul Filho, do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) da Aeronáutica, sobre a condução do caso. “Denunciamos a pilhagem e, até hoje, não sabemos se há uma investigação sobre isso”, afirmou. Eles se queixam ainda de que Kersul descumpriu a promessa feita em depoimento à CPI do Apagão Aéreo no Senado de receber os representantes da associação.

O comunicado comemorou ainda a saída de Denise Abreu do quadro de diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “Não esquecemos suas palavras, mas agradecemos às autoridades ou forças que a fizeram renunciar”, citou o documento. Segundo a associação, a ex-diretora da Anac foi grosseira com os parentes das vítimas durante a busca dos corpos, ao afirmar que não era possível esperar que alguém fosse encontrado vivo.

O texto não chegou a defender o desligamento do presidente da Anac, Milton Zuanazzi, mas afirmou que os cidadãos têm “direito a querer ou não a sua representatividade [de Zuanazzi] na agência”. A associação manifestou ainda discordância com o relatório da CPI do Apagão Aéreo na Câmara dos Deputados, que eximiu a Anac de qualquer responsabilidade pela crise no setor.

O governo não foi o único alvo das críticas. No texto, a entidade expressou indignação com o fato de os pilotos do jato Legacy, Joe Lepore e Jan Paladino, estarem em liberdade um ano depois do acidente. A associação também alegou que a Gol não está fornecendo o apoio necessário.

“Não vamos esquecer os pedidos de apoio recusados, das promessas não cumpridas e da não renovação do nosso plano de saúde, que é essencial para muitas famílias”, destacou o comunicado.

Ontem (28), em nota, a Gol afirmou "continua firme" em seus compromissos com as famílias das 154 vítimas do vôo 1907. De acordo com a direção da empresa, até o momento, 32 acordos de indenização foram fechados. Além das indenizações, a Gol afirma que também disponibilizou assistência médica e psicológica por um ano. Esta última vai ser prorrogada pelo mesmo período. “O plano [médico] inicialmente válido por 12 meses, registrou pouca utilização no período. Apenas a assistência psicológica será mantida por mais um ano", disse a empresa à imprensa em carta.

sábado, 29 de setembro de 2007

Imagem de Lula é a melhor entre presidentes latinos

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, é o líder latino-americano com melhor imagem popular no continente, com uma média de 56% de imagem positiva, contra 20% de imagem negativa e um saldo de +36 pontos, revela a pesquisa "Latin American Pulse", do Ipsos Public Affairs, realizada em seis países da região.

Já a pior imagem popular coube ao presidente Hugo Chávez. Na média, o líder venezuelano tem imagem positiva para 38% dos eleitores desses países e imagem negativa para 45% deles, com saldo de -7 pontos porcentuais. O Ipsos concluiu que Chávez "não é figura dominante na América Latina".

Não é só Chávez que não encanta o povo: 47 anos depois de instalar uma ditadura em Cuba, Fidel Castro soma 36% de imagem positiva, mas é repudiado por 42% do continente.

UM ANO DEPOIS, CRISE AÉREA SEGUE SEM SOLUÇÃO

A crise aérea, iniciada com a queda do avião da Gol, completa um ano hoje sem uma solução para o principal problema que impede o bom funcionamento do setor: a deficiência do sistema de controle do tráfego aéreo. Apesar de a situação de trabalho da categoria ter melhorado - controladores da área de defesa aérea foram convocados para reforçar a equipe que monitora a aviação comercial -, o sistema ainda não recebeu novos equipamentos e continua com insuficiência de pessoal treinado. A falha no controle aéreo foi a principal causa da colisão entre o Boeing que fazia o vôo 1907 da Gol e o jato Legacy da empresa norte-americana ExcelAire, recém-comprado da Embraer, em uma área remota da Amazônia. O acidente, ocorrido em 29 de setembro de 2006, foi o estopim da crise, despertando a atenção da população para os problemas no controle de tráfego.

"Até o momento não sei da compra de nenhum novo equipamento", afirma o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Proteção ao Vôo, Jorge Carlos Botelho, que reúne os controladores de vôo civis. Ele afirma que a situação está mais tranqüila nos últimos meses porque o País passa por um momento de seca, com pouca chuva, o que ajuda a reduzir problemas com os equipamentos, mas a situação de alerta continua. Em relação às contratações, Botelho explica que a expectativa é de que, até o final do ano, 64 controladores civis se formem em São José dos Campos.
Ele ressalta, no entanto, que seriam necessários pelo menos 600 novos profissionais para operar o sistema de tráfego aéreo com tranqüilidade. "Calculamos que esse seria o efetivo necessário para repor o pessoal que sai de férias, licença médica ou que está se aposentando", explica. Botelho defende ainda a formação continuada de novos profissionais.

Caos em debate

Apesar de avaliar que poucas modificações relevantes foram feitas desde o acidente da Gol, que vitimou 154 pessoas, o presidente do sindicato dos controladores admite que há um lado positivo nesse caos: a problemática foi colocada em debate. Segundo ele, a partir do acidente, e principalmente após o movimento político feito pelos controladores, foi possível a sociedade participar dessa discussão. "Sabíamos que as coisas não iam ser resolvidas de imediato, mas é bom ver que estamos caminhando para encontrar soluções."


O diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Marco Reina, ressalta que só depois do choque gerado pelo acidente com o vôo 3054 da TAM, em 17 de julho deste ano, é que as medidas começaram a ser adotadas. Reina afirma que os trabalhadores vêm há muito tempo alertando as autoridades e as empresas sobre os problemas do congestionamento dos aeroportos e para as conseqüências do aumento da jornada de trabalho, mas foi necessário ocorrer um segundo acidente para que algo fosse feito. "No intuito de quererem crescer cada vez mais, as empresas passaram por cima de várias coisas. Essa que é a verdade", afirma.

O aeronauta lembra que o setor registra crescimento de dois dígitos há vários anos, evolução que não foi acompanhada pela infra-estrutura. Ele critica inclusive os investimentos feitos para "embelezar" os aeroportos, em detrimento do aumento da capacidade. Reina avalia como positiva as restrições anunciadas pelo governo em relação ao aeroporto de Congonhas e explica que é melhor pecar pelo excesso do que pelo desleixo. "Acho que alguns pontos ainda merecem ser atacados, mas acredito que o novo ministro da Defesa assumiu o cargo com disposição de trazer mudanças", avalia.

Familiares e militares voltam ao local da queda do Boeing da Gol

Na manhã deste sábado (29), dia em que faz um ano do acidente com o vôo 1907 da Gol, que vitimou 154 pessoas, familiares e amigos das vítimas viajaram até o local do acidente em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB).

Na passagem pela Fazenda Jarinã, Mato Grosso, área que serviu de base para as equipes de resgate, serão deixadas uma placa e imagens de santos na capela construída depois da tragédia. No local da queda, 154 rosas brancas serão jogadas do alto. Depois, está programada a celebração de uma missa na Base Aérea da Serra do Cachimbo, sul do Pará.

Os parentes carregavam as fotografias dos entes queridos. Margarida Cruz, por exemplo, perdeu Carlos, filho de 26 anos. Para ela, mesmo um ano depois ainda é difícil acreditar. “Não dá pra aceitar. É como se ele não estivesse morto. É muito difícil aceitar”, desabafou.

Foi a mesma sensação de Antônio Cláudio de Araújo, tio de Marcelo Paixão, o último corpo localizado, 54 dias após o desastre. “A visita ao local parece que traz ainda uma certa apreensão, vamos dizer assim, de que a gente até possa ver mais coisas dele, possa encontrá-lo. Sonhar é uma constante nossa”, contou.

Misturado à emoção de retornar ao local do acidente, havia o agradecimento às equipes de militares e civis que ajudaram no resgate dos corpos. “É complicado. Nós somos pessoas extremamente técnicas, né? Fizemos toda a... Desculpe”, disse emocionado o major da FAB Gláucio de Oliveira.

Os parentes só retornarão no fim do dia. Na hora do acidente do vôo 1907, eles estarão no céu, voando em direção a Brasília. O aviso será dado pelo piloto da aeronave e, neste momento, será feito um minuto de silêncio.

Em 29 de setembro do ano passado, um Boeing da Gol saiu de Manaus com 154 pessoas com destino ao Rio de Janeiro e escala em Brasília. O avião se chocou com um jato Legacy e caiu em região de mata fechada ao norte de Mato Grosso. Todos os ocupantes morreram. Ninguém do Legacy se feriu.

O resgate dos corpos espalhados pela selva durou semanas. Até agora as investigações não apontaram culpados. “Nós, os familiares, não temos nenhuma posição das autoridades. Estamos sentindo uma injustiça incrível”, reclamou o tio de outra vítima, Francis Albert Ribeiro Dias.

De acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), o relatório final dirá que falha humana foi um dos fatores que contribuíram para a colisão. Mesmo assim, não foi fator determinante do acidente. O relatório ainda não tem data para ser apresentado.

Advogados da Gol ofereceram acordos que garantem aos beneficiários renda igual à que era obtida antes da tragédia. Até agora 32 ajustes foram fechados, beneficiando 82 pessoas. A companhia ofereceu ainda plano de saúde às famílias e reembolso das despesas médicas no primeiro mês depois do acidente.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

FAB descarta pane em radares do Cindacta e equipamentos do Legacy

Documento sobre acidente com Boeing da Gol foi divulgado pela Aeronáutica. 'Normas e procedimentos não foram corretamente executados', diz FAB.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáutico (Cenipa) reforçou nesta sexta-feira (28) que não houve pane nos equipamentos de comunicação ou no transponder do jato Legacy, que se chocou no ar contra o Boeing da Gol há um ano. A Aeronáutica também descartou a "ineficiência ou deficiência" dos radares do controle do tráfego aéreo. No entanto, as investigações apontam que "algumas normas e procedimentos não foram corretamente executados". O relatório final do Cenipa deverá informar os motivos.

Estas foram algumas conclusões da Aeronáutica após um ano de investigação do acidente que matou 154 pessoas em 29 de setembro de 2006. O relatório final sobre a tragédia, contudo, ainda não foi concluído. A informação foi repassada pelo chefe do Cenipa, Jorge Kersul, e pelo presidente da comissão de investigação, coronel Rufino Antonio da Silva Ferreira, ao tio de uma vítima do acidente, Jorge André Cavalcante.

"Estive com o coronel Rufino Ferreira e com Jorge Kersul, presidente e diretor do Cenipa, respectivamente, e eles me disseram que não há relatório final sobre o acidente. Segundo eles, a informação concreta é que serão divulgadas, na próxima semana, recomendações para evitar que novos acidentes aéreos aconteçam", disse Jorge André Cavalcante, que também presidiu a Associação de Parentes das Vítimas do Vôo 1907.
Documento
No documento sobre um ano do acidente com o vôo da Gol, divulgado nesta sexta, a Aeronáutica afirma que, "sob a ótica da prevenção, todo acidente decorre da junção de diversas condições alinhadas, as chamadas barreiras de segurança, e nunca em conseqüência de um único fator".

É assim em qualquer parte do mundo e compete à investigação preventiva retirar lições dessas ocorrências que resultem no aperfeiçoamento de toda e qualquer área envolvida".

A Aeronáutica negou que tenha vazado informações sobre as investigações, "consciente das normas internacionais que regem tal procedimento e da importância de se preservar dados necessários para o esclarecimento dos fatores que contribuíram com o acidente". Disse ainda que os familiares das vítimas têm recebido informações "consolidadas" sobre o acidente, incluindo "dados das caixas-pretas e dos diálogos gravados no controle de tráfego aéreo".

Crise aérea Para justificar atrasos e cancelamentos de vôos, a Aeronáutica informou que 18 controladores foram afastados do trabalho, no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo em Brasília (Cindacta-1), para receber auxílio psicológico

"Esta situação, dentro de um contexto onde o número de profissionais estava exato em relação à demanda, fez com que o efetivo disponível não fosse o suficiente para atender as necessidades do controle de tráfego na área do Cindacta-1, onde o volume de aeronaves era muito grande. Este cenário desencadeou uma situação na qual o sistema de controle não apresentava condições de atender satisfatoriamente o fluxo de aeronaves no espaço aéreo, o que, aliado a outros fatores conjunturais, resultou em atrasos, retenções e cancelamentos de vôos, sem comprometer a segurança das operações aéreas".

Algumas medidas para conter a crise, segundo a Aeronáutica, foram adotadas, entre elas, contratação e treinamento de controladores na reserva, realização de concurso para 64 controladores civis e abertura de duas novas turmas de formação de controladores militares, com 160 vagas cada. Os 17 radares do sistema de controle do espaço aéreo informou a Aeronáutica, estão sendo modernizados e uma central de comunicação reserva foi instalada no Cindacta-1.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Filho de Lula recebia salário do PT por "serviço à distância”

Filho de Lula recebia salário do PT por "serviço à distância”
LILIAN CHRISTOFOLETTIJOSÉ ALBERTO BOMBIGda Folha de S.Paulo




Poucos funcionários do diretório estadual do PT de São Paulo sabem, mas até duas semanas atrás eles tinham como colega, pelo menos na folha de pagamento, um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O estudante de publicidade Sandro Luís Lula da Silva, 26, era contratado pelo Diretório do PT paulista desde 2002, mas prestava "serviço à distância", segundo informou o partido.

Sandro é o primeiro filho de Lula com Marisa Letícia. Antes do casamento, Lula foi pai de Lurian. Marisa é mãe de Marcos Cláudio, criado pelo presidente desde a primeira infância.

À distância

O filho de Lula foi contratado pelo diretório do PT em São Paulo como assistente administrativo no dia 15 de maio de 2002, ano da eleição presidencial. O salário dele era de R$ 1.522.

Depois que o pai assumiu a Presidência --afirmou a assessoria do PT paulista--, Sandro passou a "prestar serviço de informática à distância", da casa dele, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo).

A sede estadual fica na área central da capital paulista.Esta, pelo menos, foi a última versão apresentada pelo PT paulista para tentar explicar o fato de um filho de presidente da República ser tão desconhecido dentro do diretório --oito funcionários disseram à reportagem nunca terem visto Sandro no prédio.

Outras duas respostas foram dadas pelo partido, todas na sexta-feira. Num primeiro momento, assessores disseram que ele nunca havia trabalhado no diretório. Depois, que Sandro deixou de ser funcionário em meados de 2002. E, finalmente, que ele foi desligado há cerca de "uma ou duas semanas".

Em branco

A reportagem teve acesso ao relatório de despesas mensais do PT de São Paulo e ao livro de empregados, ambos de 2003.

O documento contábil registra os depósitos mensais na conta corrente de "Sandro L. Lula da Silva" no valor de R$ 1.522. O livro de empregados, por sua vez, guarda a ficha de contratação de Sandro, à folha 77, com foto, dados pessoais e a assinatura dele.

Ao contrário das fichas de outros 70 funcionários contratados pelo diretório do PT paulista, na de Sandro o espaço reservado para o preenchimento do horário de início e de término da jornada de trabalho foi deixado em branco --o mesmo foi feito também com a ficha de Antônio Palocci Filho, dirigente petista e hoje à frente do Ministério da da Fazenda.

Informática

Sandro e os irmãos são aficionados por informática, games, Orkut (maior comunidade virtual da internet) e blogs. Este último já rendeu dissabores à família Lula.

Em outubro do ano passado, a Folha publicou reportagem sobre dois blogs criados pelos filhos de Lula (Marcos Cláudio e Luís Cláudio), que revelavam a intimidade do casal presidencial em festas.

Depois, fotos do filho caçula, Luís Cláudio, que passou férias no Palácio da Alvorada ao lado dos amigos, também foram parar na comunidade do Orkut.

Sandro, no entanto, continua adepto da comunidade virtual, na qual se apresenta sob o pseudônimo de "spiderman" (homem-aranha). Ao falar de sua rotina para amigos, ele recorre à mesma explicação: diz que "continua vagabundeando e tentando terminar a faculdade" e que tem "fingido que trabalha um pouco".

Sandro recebe muitas mensagens de amigos que querem saber se ele abandonou a faculdade.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

TCU vai auditar cartões do governo do governo Lula!!

Decisão do Tribunal determina a análise de gastos dos cartões corporativos da Administração da Casa Civil e da Abin




Os cartões de crédito corporativos usados pela Secretaria de Administração da Casa Civil e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) – ligadas à Presidência da República – serão alvo de auditoria do Tribunal de Contas da União. A decisão foi tomada pelos ministros do TCU, por unanimidade, após solicitação do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL). Os dois órgãos são responsáveis por 54% das despesas do Executivo.
Segundo o relatório do ministro Ubiratan Aguiar, um dos objetivos é saber se houve irregularidade no uso dos cartões. O TCU determinou ainda que sejam programadas novas fiscalizações em outros “órgãos e entidades” que teriam abusado do cartão de pagamento do governo federal. A auditoria fará uma análise da origem, destino e natureza dos gastos. Serão vistoriados todos os documentos correspondentes às despesas.
De acordo com o ministro Ubiratan Aguiar, dados extraídos do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) referentes ao período de janeiro a junho deste ano, mostram que o cartão de pagamento foi utilizado por 68 órgãos do governo. Desses, 34 efetuaram despesas em valor total inferior a R$ 10 mil; 23 entre R$ 10 mil e R$ 100 mil.
Dos 11 que gastaram mais de R$ 100 mil, o Gabinete da Presidência da República foi responsável pela maior despesa: R$ 4,1 milhões, seguido do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), com despesas de quase 600 mil reais. A Secretaria de Administração da Casa Civil e a Abin foram escolhidas por terem sido as duas unidades gestoras da Presidência – de um total de cinco – que mais tiveram gastos com os cartões: a Casa Civil gastou R$ 2, 571 milhões e a Abin, R$ 1,460 milhão.
Após reportagem publicada na revista IstoÉ Dinheiro, no último domingo, o que mais chamou a atenção dos ministros do TCU foi o volume de saques em dinheiro vivo feito por funcionários do Planalto por meio desses cartões. Pelo levantamento da revista, entre janeiro e agosto de 2004, de um total de R$ 3,2 milhões em faturas, esses funcionários sacaram R$ 2,2 milhões em espécie – quase dois terços do montante. O outro R$ 1 milhão foi usado para pagamento de despesas, o que deveria ser a função primordial dos cartões. O fato chama atenção no momento de crise com suspeitas de movimentações em dinheiro que seriam supostamente distribuídas a políticos e partidos.
Criados no governo Fernando Henrique, os cartões corporativos são usados, por exemplo para gastos em passagens aéreas, deslocamento de autoridades, pagamento de materiais e serviços mais urgentes na Presidência. Os cartões são utilizados por funcionários de carreira, que trabalham como assessores diretos do governo. Eles são responsáveis pelo pagamento de despesas no Palácio do Planalto, do Gabinete da Presidência da República, da Granja do Torto – onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mora com sua família – e despesas com ministros ligados à Presidência.
O presidente Lula não tem cartão, nem a primeira-dama Marisa Letícia, nem qualquer ministro, mas os assessores responsáveis pelo pagamentos de suas contas pessoais têm. Na última semana foi levantada a suspeita de que Marisa teria utilizado um desses cartões corporativos em gastos com um famoso cabeleireiro de São Paulo, informação logo desmentida pelo Planalto.
Ainda ontem, em outra decisão, o ministro do TCU determinou que os Correios retenham o montante de R$ 61 mil nos próximos pagamentos a serem feitos à SMPB – empresa de Marcos Valério que prestava serviços de publicidade à estatal. Os saldos dos pagamentos pendentes à SMPB atingiram a cifra de R$ 630 mil, no último dia 19.
A decisão em caráter liminar foi tomada pelo ministro, a partir de representação formulada por uma equipe de auditoria do TCU. O resultado da auditoria apontou pagamentos indevidos à empresa de Marcos Valério iguais ao montante a ser retido. Nas transações constam recebimento de comissão pela SMPB sem a prestação de qualquer serviço; prática de sobre-preço na aquisição de bens ou na prestação de serviços contratados pela agência; sub-contratação de serviços sem comprovação de prestação e com cobrança indevida de despesas.

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